A Bailarina e o Sutiã Azul: Feminilidade na Iconografia Revolucionária Recente, Parte 1

Publicado na revista View. Theories and Practices of Visual Culture (No 5 (2014): Queer Images) e republicado aqui com a sua permissão.

Foto a partir de um vídeo amador retratando a “mulher de sutiã azul”.

Introdução:

Chamado repetidas vezes de ano dos protestos globais[i], 2011 foi dominado por imagens revolucionárias: praças e parques urbanos tumultuados pelas entoações das massas, cidades de tendas, barricadas, cartazes de papelão enumerando exigências e queixas, gestos de solidariedade e amor, gestos desafiadores e furiosos, punhos fechados, pedras e coquetéis molotov trespassando o ar de gás lacrimogêneo, faces inteiras ou parcialmente cobertas, faces contorcidas de dor, faces brilhando de euforia, faces muito sérias, faces dizendo: basta. Imagens da revolução – ou, como propôs Ariella Azoulay, uma “linguagem universal de cidadania e revolução” que se desenvolveu em resposta à “linguagem universal do poder[ii]“, representada ao extremo pela violência policial e militar. É claro que esta linguagem da revolução não tem nada de novo. A sua sintaxe é imediatamente reconhecida. Aprendemos sobre ela nos livros de história. Observámo-la na televisão quando a ordem da Guerra Fria chegava ao fim. E vimo-la de novo, recentemente, na Grécia em 2008, no Irã em 2009, em Caxemira em 2010. E novamente na Grécia em 2011, 2012, 2013… Acabamos de vê-la na Ucrânia. E continuamos vendo-a no Egito.

A ocupação do espaço público[iii] constituiu um dos elementos básicos da linguagem da revolução, ao ponto de nos anos mais recentes, Tahrir, Syntagma, Puerta del Sol, Gezi Par, Taksim, Parque Zuccotti, e Maidan se terem tornado, entre outras localizações urbanas, em metonímias do protesto. A atual preocupação com o espaço urbano como componente crucial da linguagem da revolução assenta nas suas funções estratégicas e simbólicas, e pode ser atribuída à aparente falta de liderança, característica dos movimentos de protesto recentes. No seu artigo “Image, Space, Revolution: The Arts of Occupation,” (Imagem, Espaço, Revolução: as Artes da Ocupação) publicado em 2012, W.J.T. Mitchell defende que, o que estes eventos têm em comum é a sua “insistência conspícua num repertório de imagem anti-icônico e não soberano.[iv]” As razões da recusa dos manifestantes em ter “uma face representativa como avatar da revolução” são, como nota Mitchell[v], parcialmente ideológicas (com raízes no horizontalismo[vi]) e parcialmente táticas (impedem que a polícia reconheça essa face). Procurando uma “imagem global dominante – vamos dizer uma imagem mundial – que una o movimento Occupy à Primavera Árabe,[vii]” Mitchell insiste que “o lugar vazio,” entendido como espaço urbano onde acontecem eventos revolucionários e onde se encenam celebrações revolucionárias, (i.e., praças, parques, ruas), será o único monumento das revoluções de 2011[viii].

Apesar de a praça urbana ser talvez o único monumento a emergir dos movimentos de protesto recentes, ela é dificilmente seu único ícone. A partir de 2011, inúmeras imagens da revolução alcançaram um estatuto icônico, mesmo se em muitos casos este fosse de curta duração. Se uma revolução não se pode reduzir a uma imagem apenas, poderá a distinção de algumas imagens escolhidas de entre milhões de fotos, vídeos, posters, murais, cartuns e memes da internet ser mais do que arbitrária? Relutante a fugir do desafio, Mitchell propõe simplesmente dividir as imagens revolucionárias em duas categorias: positiva e negativa. A primeira engloba imagens de “desafio triunfante e alegria,[ix]” como o pôster da bailarina da Adbusters para o movimento Occupy em Wall Street; a segunda expõe a humilhação e a violência do estado, como exemplifica a imagem estática de um vídeo amador do youtube mostrando uma mulher severamente agredida pelas forças de segurança egípcias e parcialmente despida, revelando o seu sutiã azul. A escolha de imagens por Mitchell representando mulheres não é acidental, mas a explicação que ele dá – nomeadamente, as conotações alegadamente femininas de não violência – não parece ser inteiramente convincente. A partir das conclusões de Mitchell, pretendo discutir o papel das mulheres na iconografia revolucionária recente enquanto representantes tanto dos ideais revolucionários quanto dos seus fracassos. O artigo de Mitchell é merecedor de atenção não apenas por ser uma das primeiras tentativas acadêmicas para entender a iconografia das recentes revoluções e por ser um texto provocante, mas também devido ao fato de que alguns argumentos do autor parecem fazer um convite a analises críticas mais aprofundadas. O que se segue é uma polêmica dirigida a partes do artigo de Mitchell onde ele se refere a mulheres e revolução, e uma elaboração de algumas das observações mais importantes que ele faz. A minha leitura da discussão de Mitchell sobre a dialética entre imagens positivas e negativas da revolução, é feita em relação à noção que Azoulay faz sobre a linguagem universal da revolução.

Poster da Adbusters para Occupy Wall Street.

O Uso de Imagens na Interpretação da Revolução

Em vez do jogo cansativo de julgar quais comportamentos ou movimentos são considerados revolucionários, proponho aceitarmos que várias formas de união humana exercitadas (no sentido Arendtiano) através de discurso e ação possam incluir características revolucionárias, e que essas características muitas vezes se manifestam nas imagens. Concordo com Azoulay que a forma como o termo “revolução” é atualmente usado por teóricos

“produz a sua raridade e superioridade sobre outras formas de estar-junto que poderiam ser ‘erroneamente’ entendidas como semelhantes a ele – revolta, rebelião, insurreição, golpe, solidariedade, movimento, parceria, participação ou protesto.[x]

Se deixarmos de lado terminologias rígidas e alterarmos os preconceitos que elas implicam[xi], talvez seja possível reconceituar revolução de uma forma que produza um melhor conhecimento sobre uma vasta gama de fenômenos até agora excluídos de análises mais detalhadas. A perspectiva inclusiva sobre revolução que Azoulay advoga é não só imensamente inspiradora, mas me parece particularmente válida face aos recentes movimentos de protesto porque permite conceber a revolução “não tanto como uma ocorrência direcionada, demarcada no espaço e no tempo, mas mais como uma coleção de afirmações e formações civis.[xii]

Azoulay fala sobre os gestos que constituem a linguagem da revolução como se fossem fotos instantâneas (e de fato muitas vezes são), molduras de uma situação revolucionária. No entanto, apesar de focar no visual a autora afirma claramente que a revolução é representada e entendida por meio de todos os sentidos: incluiu sensações auditivas (cantos, sirenes de polícia, gritos), táteis (a sensação de estar no meio da multidão, a pressão dos canhões de água, o queimar do spray de pimenta), e olfativas (o cheiro de pneus queimados, da comida sendo preparada nas cozinhas comunitárias)[xiii]. Por isso é importante lembrar, quando observamos a iconografia revolucionária, que a linguagem da revolução opera além do campo da visão; as imagens são vitais, mas não nos dizem tudo.

Uma consideração cuidadosa da iconografia revolucionária pode ser instrutiva por várias razões. Primeiro é impossível não notar as semelhanças entre as imagens que mostram situações revolucionárias variadas em todo o mundo. Por exemplo, se não fossem as bandeiras nacionais carregadas pelos manifestantes, seria praticamente impossível distinguir exatamente que lugares aparecem nas fotos aéreas de ruas e praças ocupadas. Uma análise visual destas imagens encoraja-nos a reparar em semelhanças entre vários movimentos de protesto independentemente dos seus objetivos, e assim descobrir significados que se perderiam se olhássemos individualmente essas situações revolucionárias. Em segundo lugar, a linguagem da revolução, como argumenta Azoulay, emerge dos gestos praticados num dado lugar, mas não é fixa nessa mesma localização. As imagens criadas nas ruas e praças viajam para outros lugares na vida real e na vida ficcional, e adquirem significados às vezes novos, e outras vezes completamente diferentes. Uma observação atenta, muitas vezes surpreendente e por vezes previsível destas viagens que fazem as imagens revolucionárias permite um melhor entendimento da origem e desenvolvimento dos símbolos, gestos e comportamentos associados com a revolução. A análise da iconografia revolucionária é também importante, pois se trata de cultura visual e não de linguagem falada ou escrita que são a língua franca dos manifestantes: “sem uma linguagem comum, a esfera pública global tem de se apoiar fortemente em imagens.[xiv]” Imagens revolucionárias não precisam significar o mesmo em todos os lugares onde aparecem; não precisam ser idênticas – o mais importante é que compartilhem certa sensibilidade e entendimento político.

Nenhuma revolução – e nenhum outro acontecimento complexo – pode ser reduzida a uma imagem apenas. A relevância simbólica e funcional do “espaço vazio” nos movimentos recentes de protesto não diminui a importância de outras imagens icônicas. Independentemente de uma revolução ter face (Lenin, Ché), o corpo de um mártir (Marat, Neda Agha Soltan), ou uma alegoria (Liberty, Germania), o povo que a faz acontecer e o espaço onde ela decorre também conferem significados simbólicos; são adquiridos instantaneamente ou durante um período de tempo. A Revolução Francesa teve a sua Deusa da Liberdade, e também mulheres comerciantes protestando rumo a Versailles e “espaços vazios” (os Champs de Mars, no texto famoso de Michelet). A Comuna de Paris teve suas pétroleuses (mulheres de comunas acusadas de incendiárias) e as barricadas. A Revolução de Outubro tinha Lenin e o assalto ao Palácio de Inverno. As representações dos movimentos de protesto recentes, notavelmente a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street, incluíam gente na multidão e o espaço urbano que permitiu o exercício da sua união. Além das imagens das praças ocupadas, das representações da violência do estado (desde o gás lacrimogêneo à tortura e aos ataques de atiradores), e da figura onipresente do manifestante de máscara atirando um coquetel molotov ou jogando pedras, uma das imagens mais prevalentes nas situações revolucionárias recentes em todo o mundo, tem sido a da mulher como símbolo de revolução.

Liberdade Conduzindo o Povo de Eugène Delacroix (1830).

A presença das mulheres na iconografia revolucionária é secular, tanto como alegorias quanto como participantes. O que testemunhamos no momento é o ressurgimento da imagem da mulher como símbolo de revolução. Como notou Eric Hobsbawm, enquanto nos séculos 18 e 19, “o conceito revolucionário de república ou liberdade… tendeu a ser uma mulher despida, ou melhor de peitos expostos,” o papel da figura feminina “diminuiu bastante com a transição das revoluções democrático-plebeias do século 19 para os movimentos proletários e socialistas do século 20.[xv]” O início do século 21 marca o fim da masculinização das representações revolucionárias de que fala Hobsbawm[xvi]. Não quer isto dizer que a figura do homem manifestante ou das multidões de homens tenham desaparecido; no entanto, elas são complementadas e por vezes sobrepostas à figura da mulher revolucionária ou da mulher como símbolo da revolução. O ressurgimento da mulher nas atuais representações revolucionárias pede análises comparativas aprofundadas. Neste artigo, analiso as duas imagens que Mitchell escolheu, lembrando sempre que elas são representativas de um fenômeno mais amplo.

Na interpretação de Mitchell, as imagens da bailarina e da “mulher de sutiã azul” são particularmente importantes porque “a tática da não violência tem uma conotação inerentemente feminina e feminista, em contraste com a violência do macho que ela provoca.[xvii]” Apesar dos movimentos revolucionários recentes terem sido na maior parte pacíficos da parte dos manifestantes, ao igualar a não violência com feminilidade, Mitchell rejeita as representações históricas e contemporâneas das mulheres, enquanto agressivas, possuídas e sádicas. Particularmente na iconografia revolucionária onde as mulheres têm figurado como guerreiras, soldadas, assassinas, e incendiárias – algumas chamadas de heroínas ou santas, outras denunciadas como terroristas. Apelidadas Erinyes, Medusas ou Ménades pelos seus oponentes, as mulheres que participam em revoluções e movimentos de protesto tem sido frequentemente associadas à violência nos seus aspectos mais selvagens, sangrentos e imprevisíveis. O próprio Mitchell discute esta tendência proeminente em Iconology de 1986, onde analisa a denúncia que Edmund Burke faz das mulheres revolucionárias francesas como “fúrias do inferno” e a sua insistência em frisar “o caráter sexual, e em particular o caráter feminino da violência.”[xviii]

Retratos de violência revolucionária exercitados por e atribuídos a mulheres raramente são neutros. Atos de violência por mulheres tendem a ser sobrepostos à sua beleza física ou igualados à sua feiura. Como demonstram Dominique Godineau, Madelyn Gutwirth, e Ronald Paulson, entre outros, a última tendência é particularmente evidente nas caricaturas populares e na propaganda antirrevolucionária, enquanto a primeira é comum em livros de história, novelas, poesia, filmes, reportagens, ensaios e artes visuais[xix]. Theroigne de Mericourt foi rebaixada de símbolo adorado de beleza revolucionária a símbolo de loucura revolucionária[xx] e posteriormente descrita por Charles Baudelaire como “amante de carnificinas.[xxi]” A revolucionária russa Maria Spiridonova, conhecida principalmente pelo assassinato de um polícia tem sido elogiada em livros de história pela sua “espiritualmente bela face.[xxii]” Leila Khaled tornou-se internacionalmente famosa por desviar aviões, e também por uma fotografia a preto e branco onde é retratada com uma kalashnikov: desde que a imagem deu a volta ao mundo, passou a ser chamada de pin-up da resistência armada palestina e a “garota glamour do terrorismo internacional.[xxiii]” O artista Amer Shomali fez um comentário incisivo sobre a glamorização de Khaled no seu trabalho The Icon de 2011, um retrato da combatente palestina construído com 3500 batons.

Por mais que eu concorde com Mitchell relativamente ao papel central das mulheres nas representações dos movimentos de protesto recentes, acho importante frisar que o seu papel de ícones não pode ser reduzido às supostas conotações do feminino com a não violência. Alternativamente, mantendo as dicotomias que Mitchell faz na sua análise, a bailarina e a mulher atacada pela polícia militar egípcia representam metáforas importantes, prevalentes na iconografia revolucionária: a mulher como símbolo dos ideais revolucionários, e a mulher enquanto símbolo do fracasso da revolução.

Parte 2>

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Notas:

[i] Ver: Paul Mason, Why It’s Still Kicking Off Everywhere: The New Global Revolutions (New York: Verso, 2013).

[ii] Ariella Azoulay, “The Language of Revolution – Tidings from the East,” in Critical Inquiry Web Exclusive: The New Arab Spring 8 August 2011, 1-5, http://criticalinquiry.uchicago.edu/the_language_of_revolution_azoulay/, acesso 4 de Maio, 2014.

[iii] Zuccotti Park é uma exceção notável e reveladora: com o seu estatuto de “parceria pública-privada” (uma forma comum globalmente de neoliberalização do espaço urbano), o parque estava acima das restrições aplicadas em parques municipais de Nova Iorque. O seu estatuto especial facilitou paradoxalmente a ocupação 24 horas por dia.

[iv] W.J.T. Mitchell, “Image, Space, Revolution: The Arts of Occupation,” Critical Inquiry 39.1 (2012): 9.

[v] Ibid., enfâse original itálico.

[vi] Ver, e.g., Marina A. Sitrin, Everyday Revolutions: Horizontalism and Autonomy in Argentina (London: Zed Books, 2012).

[vii] Mitchell, “Image,” 8.

[viii] A proposta tentadora de Mitchell para conceber o monumento não como estátua, mas “espaço vazio sem estátua” (“Image” 19) se insere na tendência para representações da memória cultural prevalente das últimas três décadas (i.e., o anti- ou contra-monumento). O espaço vazio como monumento da revolução “é assombrado, povoado por espíritos que recusam descansar, memórias coletivas e individuais, uma percepção que conduz a uma leitura oposta do espaço vazio, a sua transformação em signo de potencialidade, possibilidade e plenitude, uma democracia que ainda não foi alcançada, com o espaço público vazio esperando um festival novo e uma ocupação renovada – um novo ‘espaço de aparência'” (Mitchell, “Image,” 21).

[ix] Mitchell, “Image,” 15.

[x] Ariella Azoulay, “Revolution,” Political Concepts: A Critical Lexicon 2012, http://www.politicalconcepts.org/revolution-ariella-azoulay/, acesso 4 de Maio, 2014; enfâse original.

[xi] Isto foi maravilhosamente bem sucedido por Lisa Robertson e Matthew Stadler no seu volume editado Revolution: A Reader (Portland: Publication Studio, 2012).

[xii] Ibid.

[xiii] Ver, e.g., Ariella Azoulay, “Revolution Is A Language,” a lecture at the House of People, summer 2012, http://www.youtube.com/watch?v=mKviAvT_5iQ, acesso 4 de Maio, 2014.

[xiv] Susan Buck-Morss, “Globalization, Cosmopolitanism, Politics, and the Citizen,” Journal of Visual Culture 1.3 (2002): 339.

[xv] Eric Hobsbawm, “Man and Woman in Socialist Iconography,” History Workshop 6 (1978): 124.

[xvi] Ibid.

[xvii] Mitchell, “Image,” 16.

[xviii] W.J.T. Mitchell, Iconology: Image, Text, and Ideology (Chicago: University of Chicago Press, 1987), 143.

[xix] Dominique Godineau, “Daughters of Liberty and Revolutionary Citizens,” trans. Arthur Goldhammer, in A History of Women in the West, Vol. 4. Emerging Feminism from Revolution to World War, edited by Geneviève Fraisse, Michelle Perrot (Cambridge: Harvard UP, 1993), 15-32. Madelyn Gutwirth, The Twilight of the Goddesses: Women and Representation in the French Revolutionary Era, (New Brunswick: Rutgers UP, 1992). Ronald Paulson, Representations of Revolutions (1789-1820), (New Haven: Yale UP, 1983).

[xx] Maria Janion, Kobiety i duch inności (Warszawa: Sic!, 2006), 31.

[xxi] Qtd. in Madelyn Gutwirth, The Twilight of the Goddesses: Women and Representation in the French Revolutionary Era (New Brunswick: Rutgers UP, 1992), 326.

[xxii] Nadezda Petrusenko, “Women in the World of Gender Stereotypes: The Case of the Russian Female Terrorists at the Beginning of the 20th Century,” International Journal of Humanities and Social Science 1.4 (2011): 136.

[xxiii] Brigitte L. Nacos, “The Portrayal of Female Terrorists In the Media: Similar Framing Patterns in the News Coverage of Women In Politics and In Terrorism” in Female Terrorism and Militancy: Agency, Utility, and Organization, ed. Cindy D. Ness (Abingdon: Routledge, 2008), 221.

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